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domingo, 15 de dezembro de 2013

Quem é o Sábio?



S
ábio é aquele que sabe ouvir. Mais que isso, é aquele que sabe escutar. Sábio é aquele que não se incomoda em deixar o semelhante expor suas ideias e opiniões, enquanto, apenas, concorda ou acrescenta, quando necessário... É, portanto, aquele que propicia ao outro a possibilidade de sair da ignorância e assim, vislumbrar novas realidades, das quais antes não conhecia e por isso, encontrava-se mergulhado nas amarras da ignorância.
Portanto, a sabedoria existe, somente quando há a inter-relação entre dois sujeitos ou mais. Mais que isso, somente quando esta maneira de sabedoria servir para a um maior grupo de pessoas e deste modo se espalhar para a humanidade!
Quando ia para a capital do meu Estado, em férias, para a casa de um dos meus tios, para ajudá-lo na mercearia, nas vendas, isto é, no despache do que os fregueses pediam, eu me deparava - uma vez ou outra - com um senhor muitíssimo simpático e que revelava, nas palavras e nos comportamentos, um bom reflexo da vida bem vivida e longe das amarras da ignorância, ou seja, ele era o homem que soube 'cultivar a cultura' e a sapiência! Aquele senhor quase sempre ia lá para comprar produtos enlatados (na verdade, sardinhas, em conserva nas latas). Geralmente ele requisitava o atendimento do meu tio, pois ele já conhecia as exigências e os gostos do Senhor Wilson, que exigia aquela latinha de pescados que menos chacoalhava quando era balançada, próximo aos ouvidos.
Eu ficava a observar e, confesso, no princípio não sabia direito do que se tratava, mas depois cheguei à conclusão que, na verdade, ele buscava as latas que menos chacoalhavam, porque, nelas a sardinha era mais avantajada e havia menos óleo em sua volta. Ele queria, então, peixes graúdos em conserva...
Após algumas visitas do senhor Wilson, o meu tio começou a me colocar na responsabilidade de atendê-lo, e eu, como principiante que era, escolhia com muito cuidado, isto é, balançava as latinhas com bastante atenção e logo depois as levava para o senhor Wilson, para que ele pudesse dar a última análise e a última conferência e em seguida, me dizia se aquela estava no ponto ou não, ou seja, do seu agrado. 
E então eu o atendia e comigo ele conversava bastante, enquanto chacoalhava as latas de sardinha. Uma vez ou outra eu balançava a cabeça, re - afirmando o que ele dizia. Outras vezes eu concordava com ele, com “palavras pequenas e curtas que saiam de minha boca”, enfim, depois de alguns minutos de conversas, onde, na verdade eu apenas lhes servia de ouvinte, mais que isso, de fio condutor entre dois sujeitos que dialogavam, mesmo sem terem planejado nada, ele ia-se embora e dava-me um empolgante até logo.
E aí, minhas férias acabavam e com o passar do tempo elas acabaram no sentido mais literal da palavra, porque, enquanto eu estava de férias nos estudos, não estava de férias no trabalho e, deste modo, fiquei bastante tempo sem ir a capital e sem estar na venda do meu tio, logo, não despachava o senhor Wilson.
Então, certo dia, parece que estava mesmo Filosofando um pouco, e comecei a racionar sobre este acontecimento supracitado. De repente, eu estava a me lembrar daqueles fatos e por isso escrevi estas linhas a mais. Cheguei à conclusão, então, que a lembrança é mais forte do que a dor, do que a distancia, do que a solidão, enfim é tão forte quanto quisermos que ela seja!
Lembrei-me, então, que quando meu tio vinha da capital, ou quando meu irmão de lá vinha, diziam que o senhor Wilson sempre perguntava por mim. Da maneira dele: e o “magro”, como é que está? Desta maneira eu fiquei a me perguntar por que este homem de mim se lembrava?
Cheguei a uma conclusão fantástica, àquela que abre este pequeno relato:
O senhor Wilson, se lembrava de mim, porque quando ele chegava diante de mim, sabia que eu estava a sua inteira disposição. Não só para ir à prateleira e apanhar o pescado enlatado e logo depois analisá-lo direitinho e em seguida despachá-lo. Mas essencialmente, porque ele sabia que eu iria ouvi-lo, pelo menor tempo que fosse, mas eu o ouviria, o escutaria e assim eu não o ignoraria e, deste modo, eu o ajudava a se reafirmar como ser humano que co-existe, que interage em comunidade.
JaloNunes.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Evolução [apenas] em Teoria



A
 Teoria da Evolução, já não mais procede, isto é, não surte efeito. Quem diria que um licenciado em Filosofia e bacharel em Serviço Social tomaria tal atitude? Mesmo que, para depois, ler e re-ler sem o intuito de proclamar, pois para isso é preciso bem mais que talento de escrever, mas sim “peito” e conhecimento suficiente para aguentar as questões dos “conhecedores”, não que o referido escritor não tenha estas atitudes e qualidades, isto é uma conclusão a priori, pois só o tempo dirá quão grande é sua força de expressão e exposição (deste humilde que se inscreve neste texto).
      Tomaremos como exemplo, dois animais (quadrúpedes), também bastante exemplificados no conteúdo da referida teoria e em todos os autores que dela se utilizam para reforçá-la ou refutá-la.
Não farei nem uma nem outra ação, pois para refutar é preciso posteriormente propor. Então, o que farei é Desabafar, até porque este é, aparentemente, em teoria, o objetivo[2] que permeia todo este texto, esta escrita.
Usaremos, então, a girafa e o chimpanzé (de um modo geral o macaco) como exemplos para a frase que abre o desfecho deste assunto.
Se a girafa adquiriu, a partir do processo de evolução aquele enorme pescoço, uma vez que, a falta de alimento rasteiro acabara e então ela adaptou (muitíssimo lentamente) tal pescoço para alcançar as folhagens das árvores altas, por que então, isto não ocorrera com outros animais? Delimitemos ainda mais: por que não com todos os animais herbívoros e seus “parentes”? Fica claro que, sem dúvida, a evolução fora seletiva, mas é impressionante tal seleção!
Imaginemos então, que, na mesma época conviviam a girafa e a vaca, ambas começaram a sofrer com a falta de alimentação ao alcance de suas possibilidades, porém, a girafa “notou” a presença de folhagens nas árvores e com um esforço extremo e com muito tempo de sacrifício, conseguiu alongar seu pescoço na medida a alcançar aquela fonte de alimentação. Por que então a vaca não realizou tal processo de modificação não só de caráter genótipo, como também 'fenoticamente'? E mais, já que não realizou tal façanha, isto é, auto - adaptou-se como a girafa, deveria ter sido extinta. Isto é óbvio, se partirmos da ideia que, os que evoluíram estão conservados, ou seja, suas espécies não pereceram e os que não conseguiram foram extintos, haja vista a grande quantidade de supostos fósseis que provam a extinção de várias espécies que não mais existem no convívio animalesco.
Será que toda aquela fonte de alimento nas alturas (nas árvores) teve mesmo a potência de esperar que uma girafa esticasse seu pescoço até conseguir alcançar as folhas? Isto intriga porque, assim como os animais sofreram com as mudanças climáticas e muito mais, então, as árvores, obviamente sofreram também bastante, a ponto de (muitas delas), não resistirem e também serem extintas.
No caso do macaco é um pouco mais desagradável, afinal trata-se, segundo a teoria, do nosso “antecessor – originador” [3].
Mas, se o macaco fora capaz de, no decorrer de milhões de anos e de extremas metamorfoses dar origem ao homem, em síntese, transformar-se em ser humano pensante, por que então não continua a realizar tal façanha? Uma vez que, os macacos continuam aí, “a torto e a direito”, os tempos passam do mesmo jeito, as condições são, na medida do possível, favoráveis, então o que os torna incapazes (somente agora) de continuar tal ação que levou a este ser 'tão especial' que é o ser humano?
Para que tal teoria fosse realmente válida e simplesmente justificável, verdadeira, teria que, no decorrer dos tempos outros macacos irem se transformando em homens.
Há de se falar que os tempos eram diferentes e que, o propósito já fora alcançado - chegar ao homem numa evolução quase perfeita - mas quem disse aos macacos que o homem e a mulher eram seu estágio último de evolução e que deveriam parar por ai? E ainda, se hoje em dia existem vários macacos do mesmo jeito de antigamente, por que eles não evoluem como os seus antepassados, chegando a serem seres humanos? Não aos nossos olhos, devido ao tempo alongado, mas ao menos, ao alcance de nossos registros confiáveis! Perderam a capacidade? Ora, agora é que deveriam estar mais ágeis neste processo e mais habituados!
Porque, a milhões de anos o ser humano “conheceu” o “seu antecessor – originador” e, de lá para cá, nenhum outro evoluiu, isto é, conseguiu chegar à esfera do humano. Isto não é estranho? Como confiar numa teoria que relata uma realidade longe dos nossos olhos e até de nossa compreensão, a mais simples que for, pois tudo aquilo que se transforma, evolui num determinado tempo e estágio, deveria realizar tal atividade em qualquer época ou local...


[2] Talvez, o objetivo deste texto, seja o maior segredo, aquilo que nem mesmo o escritor sabe o que é e, torcerei para que no final tenha encontrado este objetivo imaterial (ainda), até no raciocínio.
[3] Na verdade, a palavra originador não faz parte do vocabulário da referida teoria, deixemos claro que esta é uma atribuição de caráter pessoal.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Sonho, quem é você?



S
onho é aquilo que sobra na nossa mente, enquanto estávamos acordados. E, quando dormimos, adormecemos ou simplesmente cochilamos, as sobras de acontecimentos, fatos, ações, atitudes e lembranças, além de ações que não foram executadas, voltam à tona e nos bombardeiam como uma série de fleches pirotécnicos!
Acontece como se nossa mente fosse um reservatório permeável, de água, este reservatório, com o tempo, vai liberando gotículas até não mais existir a água. Nossa mente é um depósito de informações e devemos, portanto, direcionar onde devemos guardar essas informações. Então, muitas vezes arquivamos situações do dia a dia em lugares bem guardados, pois não queremos esquecer jamais; noutras situações deixamos os acontecimentos num espaço mais acessível, pois precisaremos nos lembrar mais cedo e/ou com mais frequência. Porém, existem ações e situações que nós ainda não realizamos, são planos, projetos, ideologias, perspectivas, esperanças acesas; estas ficam, muitas vezes, jogadas na nossa mente, sem nenhum lugar para comportá-las e liberá-las quando precisamos... Os sonhos, então, são essencialmente, essas “inclinações de ações” ou apenas pensamentos incompletos, que não viraram realidade ou que não tenham sido direcionados para nenhum lugar especifico dentro das “caixetas” da mente, assim como desejos muito profundos e até irrealizáveis.
Logo, se durante o dia você especulou sobre algo, fez planos e não cumpriu, “encasquetou” certa ideia na cabeça, planejou algo e não realizou e logo depois não pôs fim nessas ondas que trafegaram sua cabeça o dia todo, certamente ao adormecer estes fleches virão em forma de sonho, de pesadelo, de mau sono etc.

JaloNunes.